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Fórum Panrotas – Dia I
 
 
ABERTURA
O presidente da Panrotas, Guillermo Alcorta abriu o Fórum, me chamaram a atenção as seguintes preocupações destacadas por ele:
 
Aumento do imposto no turismo
A Receita Federal quer cobrar 25% sobre serviços de turismo adquiridos no Brasil e no exterior, inclusive cruzeiros marítimos, o que acarretaria mais de 30% de aumento no preço dos produtos turísticos.
 
Infra-estrutura
Sobre a infra-estrutura para receber as Olimpíadas e a Copa, já estamos atrasados.
 
Nova publicação do Panrotas
Preocupado com o fato de que a publicidade na mídia impressa é muito cara para a maioria das empresas no setor de turismo, o Panrotas lança a “Vamos Lá!”.   É um produto que, por ter rede de distribuição própria, redução de custos com redação e maior densidade de páginas pagas, oferecerá um custo menor para propaganda.  Será distribuído pelos locais onde mais se concentram os consumidores com alto poder aquisitivo.
 
Temas relevantes
Citou os vistos e a aviação comercial brasileira.
 
 
BALANÇO DO MTUR
No Fórum deste ano o Ministro do Turismo, Luiz Barreto, fez um balanço ao vivo, dos 8 anos de existência do Ministério do Turismo.   O interessante é que o Fórum Panrotas também comemora 8 anos de existência.
 
1. Oportunidades para o turismo no Brasil
 
Otimismo
Segundo a 6a. Pacet – Pesquisa Atual de Conjuntura Econômica do Turismo, está previsto pelos empresários um aumento de 14,6% no faturamento para 2010.  A melhora da imagem do Brasil no exterior.  Está mais fácil a participação do Brasil nas feiras e entidades representativas internacionais.
 
Compromisso
Turismo, desenvolvimento social e responsabilidade ambiental integrados são o lema, coisa que só é possível com o fomento à Parceria pelo Turismo, em que governo, iniciativa privada e ONGs desenvolvem projetos e ações conjuntos.  Um exemplo é o Programa Primeiros Passos, que visa dar perspectiva para os bolsistas do Bolsa Família.  O Turismo é um dos setores contemplados, com obrigação mínima de 30% de empregabilidade para os jovens nessa realidade.
 
Nunca se investiu tanto
PA: urbanização da orla marítima do Rio Guamá e área portuária, em Belém.
PI: aeroporto São Raimundo Nonato, a ser inaugurado em uma semana.
RJ: 7 obras do Porto Maravilha, um sonho de mais de 20 anos.
SP: Revitalização do Parque Anhembi.
RN: Duplicação da estrada do Praia do Pipa.
E outros…
 
2. Legado do Governo Lula
 
Planejamento
É importante planejar, ter uma base de dados e estudá-los, para direcionar as novas políticas e investimentos.  Entre esses estudos, o de competitividade, os 65 destinos, a regionalização.
 
Nova imagem do Brasil no exterior
Um país moderno.  Com indústria importante e crescimento no comércio exterior.  Não é mais visto só como praia e lazer, Carnaval, Futebol e Rio de Janeiro, que são muito importantes mas o Brasil é muito mais do que isso; agora cresce em turismo de negócios, turismo de luxo como o golf, por exemplo, e em turismo náutico que está crescendo e ainda tem muito a se desenvolver com toda a costa que o país possui.  Com isso, a presença e Representatividade do Brasil nas instituições internacionais  Na Europa o que mais se fala é em eficácia e ineditismo, e em ecoturismo.
 
Investimentos
Em 2003 eram menos de 400 milhões.  Para 2010 seriam mais de 4 bilhões: o maior orçamento da história da Embratur em 2010.  Destaca-se também o investimento no mercado interno brasileiro, com publicidade e marketing para tornar o Brasil mais conhecido dos brasileiros.  Em 2010, até o meio do ano, serão lançadas 4 campanhas internas, nas quais destacam-se os focos na melhor idade e no Salão do Turismo.  Houve também o impacto dos resultados da economia, e no setor do turismo mais especificamente na aviação.  Nunca se viajou tanto de avião no Brasil.  O crescimento superou o da China.  Também houve aumento nas viagens pelo mar.  De 400 mil passou para 900 mil leitos em Cruzeiros.  No aumento do consumo de turismo, evidenciam-se as classes C e D, que passaram a viajar mais dentro do país.
 
Boa notícia de janeiro
Quase 13% de crescimento no número de desembarques internacionais em relação a janeiro de 2009.  Estados Unidos e Alemanha começam a se recuperar da crise, e com isso tornam-se público-alvo como consumidores de destino Brasil.  Em 2003 os turistas estrangeiros gastaram 3,9 milhões, e em 2009 gastaram 5,3 milhões.  Quase 100% a mais.  Isto é um grande avanço, mas ainda há muito o que fazer e crescer.  Ao contrário da França, Espanha e México, que são países que recebem mais turistas de fronteira, o Brasil e a Austrália recebem mais turistas de longa distância, sendo que o Brasil recebe mais europeus e a Austrália recebe mais asiáticos, devido à localização.  Para ajudar a enfrentar o que o Ministro chamou de “crescimento chinês” que o Brasil vive no setor do turismo, como a demanda é sempre maior do que os cofres, o governo está incentivando os chamados Módulos Alternativos.
 
Focos do Ministério do Turismo
O Brasil quer conquistar a América do Sul, que não depende tanto do aéreo, pois sendo países vizinhos e que estão em franco crescimento, como a Colômbia, por exemplo, e o Chile, há muitas possibilidades por meio rodoviário.  Além disso, esta Copa será a mais sulamericana da história.  O governo quer capacitar mais de 300.000 profissionais da área do turismo com a ajuda das instituições.  Também está havendo o incentivo para a rede hoteleira que, para início, conta com 1,8 milhões em financiamento obtidos com o BNDES e fundos públicos, sendo que quanto mais sustentável for a construção do hotel, maior será o fomento.  O mercado americano também estão na mira do Mtur, pois além de estar se recuperando da crise, o visto que antes era de 5 anos, agora é de 10 anos, e eliminou-se o visto de 90 dias.  O Brasil também está para aprovar o projeto em que disponibiliza  o pedido de vistos on line.  Encerrou dizendo que precisamos de produtos competitivos em preço e qualidade, com compitam com destinos como o Caribe, por exemplo, para atrair os estrangeiros.  O Brasil completa 16 anos de estabilidade econômica e já é o 13o. na lista de países com grandes perspectivas no cenário futuro.
 
DEBATE -TÓPICOS MAIS PREOCUPANTES
 
Chamaram-me a atenção as seguintes colocações:
 
Portos
Ricardo Amaral, presidente da Abremar, levantou a questão da possível hospedagem em navios durante a Copa, e a necessidade de investir na infra-estrutura dos portos.
 
Aeroportos
O Ministro do Turismo, Luiz Barreto, afirmou que pensa na questão dos aeroportos não apenas por causa da Copa, mas que já tem sido uma preocupação sua para as necessidades do dia-a-dia mesmo.  Disse que em alguns casos, melhorias podem ser feitas (e já têm sido) com pequenas reformas na logística do ambiente interno do aeroporto como, por exemplo, derrubar uma parede, mudar a escada rolante de lugar, etc.
 
Hotelaria
O representante do setor de hotelaria, disse que o setor não está tão preocupado com a hospedagem para a copa e, sim, com a pré-copa, principalmente em Manaus e Cuiabá, onde estarão 15% e 30% das hospedagens, respectivamente.  A ocupação dos quartos no Brasil hoje está na casa dos 60%.  Na copa, será de 65%.  São Paulo tem acomodações suficientes e ainda sobra.  Quem investir poderá sofrer redução no número de quartos ocupados.  Para a hotelaria o grande legado da copa vai ser a modernização e todo o parque hoteleiro.
 
Vôos
O governo pretende dobrar os recursos para aumento de vôos para a América do Sul.  Tem perpectivas também nos mercados americano, inglês e alemão, e oriente-médio.  A Qatar Airlines, por exemplo, vai lançar o vôo direto  São Paulo / Doha.
 
 
TURISMO GANHA NOVO CONSUMIDOR
 
O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, deu-nos uma palestra sobre A NOVA CLASSE MÉDIA, que ele definiu como sendo os “emergentes num país emergente”.

Anotei alguns números e comentários interessantes:
 
Diminuiu a desigualdade
A renda dos 10% mais pobres aumentou em 72,45% e dos 10% mais ricos aumentou em 11,37%, o que significa que houve uma diminuição na desigualdade nunca antes vista, embora ainda seja muito alta.  No entanto, o Brasil consegue incorporar mais pessoas à classe média do que os outros países.
O maior crescimento de renda foi nos estados da região Nordeste.   Em segundo lugar, a região Centro-Oeste.  O eixo Rio/São Paulo cresceu apenas 10%.
O Brasil incorporou o equivalente a meia França na classe média em 5 anos.
A classe E (pobre), caiu de 36% para 16,02% da população.
As classes C e D (média), aumentaram para 49,22% e 24,35% respectivamente.
As classes A e B (alta), correspondem hoje a 10,42%.
As cidades brasileiras onde há mais classe A e B são, em ordem:  Florianópolis, Curitiba, Vitória, Porto Alegre e Belo Horizonte.  Prevê crescimento proporcional da classe AB de 50,3%, por causa da incorporação de pessoas nas classes imediatamente superiores economicamente.
 
Fim da crise
Durante sua fala, o economista disse algumas vezes confessar que demonstra um cenário cheio de otimisto, mas que ele mesmo se surpreendou com o que os números revelam.  Parece que já podemos comemorar, porque já se passou um ano da crise com os indicadores positivos se equiparando ao ritmo do período anterior (2003-2008), o que significa dizer que a crise já saiu há um ano do bolso dos brasileiros.
O economista mostrou também que os números revelam que a crise afetou mais as capitais do que as periferias em todos os momentos.  E está diminuindo o ”gap” entre capital e periferia, porque o interior também está incorporando mais pessoas com poder aquisitivo.
A renda do trabalho tem crescido 5,2% per capita.  Mais acesso a computadores e a celulares e à carteira de trabalho assinada revelam que o brasileiro não está apenas comprando mais, e, sim, produzindo mais.   Computadores e celulares são bens de produção mais do que bens de consumo.  Com eles o brasileiro tem produzido mais, pois ajudam a estender o trabalho para outros ambientes e horários fora do local de trabalho.  Nos anos 90 o brasileiro comprava tanto quanto produzia.  Hoje, a renda de trabalho aumentou 28%, ao passo em que o consumo aumentou 14%, ou seja, está produzindo mais e comprando menos.
”O que é ser classe média?” – perguntou retoricamente e respondeu: “É esperar um futuro melhor.” Continuou dizendo que o brasileiro é o povo mais otimista dentre 32 países pesquisados.  Apesar de ser cultural do brasileiro, ele não está errado.  Os números comprovam.
 
Em relação ao Turismo
Em relação mais especificamente ao turismo, o economista explicou que há o que se chama de “capital fundamental” da atividade turística, que sáo dois:  o natural e o cultural.  E que portanto, a preservação do meio ambiente vem como condição básica para um país que pretende crescer no setor.
Em 2003, somente 20% dos brasileiros gastavam com turismo.  Só não perdia para produtos de pesca e tecnologia.  Dentro desse gasto com turismo, em primeiro lugar o transporte, e depois a alimentação seguida da hospedagem.  O economista fez uma simulação, mostrando que quando uma pessoa da classe E muda para a classe C sem que nada na vida dela tenha mudado, a despesa de R$6,00 que ela tinha com turismo passa a ser de R$15,00.  Fechou a estatística mostrando que segundo o último censo, em 2003, os homens gastavam mais com turismo do que as mulheres.  Explicou que é porque entre as mulheres ali contadas, estão por exemplo, as mães de crianças pequenas e as grávidas, que por consequência estariam concentrando seus gastos mais nos têxteis.
O economista encerrou dizendo que dentro de mais ou menos um mês será publicado o novo censo, sobre o qual poderá fazer nova análise, e que se os próximos 5 anos (2010-2014) forem apenas parecidos com os 5 anos anteriores (2003-2008), incorporaremos 36 milhões de pessoas à classe C.
 
 
Fórum Panrotas – Dia II
 
FUTURO DO TURISMO RECEPTIVO NO BRASIL
 
“Day after” e Disney Rio
Para Fábio Giambiagi, economista especialista em finanças públicas, ex-assessor do Ministério do Planejamento e atual chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, há três grandes eventos que trarão grandes oportunidades para o Brasil, tanto no cenário mundial quanto internamente:  em 2014, a Copa, em 2016, as Olimpíadas, e em 2022, o Bicentenário da República.  Conteúdo, o país só se beneficiará realmente, se souber aproveitar o “day after”, ou seja, o pós-evento.  Tudo o que for feito em termos de investimento terá que dar perspectiva de retorno a projetos turísticos como a hotelaria, por exemplo.  Será que haverá a continuidade do  “bum!” turístico depois, de modo que justifique o investimento?  Pensando nisto e no fato de que há a perspectiva de crescimento da população e da renda “per capita”, o economista propõe o foco na América Latina como público-alvo ideal para se investir em projetos turísticos no Brasil.
Fábio Giambiagi defende a criação de uma Disney Rio.  Entre as justificativas estão os seguintes fatos:  o Rio de Janeiro é um centro da América Latina; nem todos podem ir a Orlando devido ao custo que fica alto para famílias maiores; não há intolerâncias etno-religiosas; a América Latina, especialmente Chile e Colômbia, está crescendo economicamente.  Em contra-partida, os aspectos negativos de um projeto como este seriam:  o baixo nível educacional do povo brasileiro; pouca infra-estrutura para uma demanda turística dessa natureza; a preocupante situação dos aeroportos.
 
Queda do desemprego X recursos do pré-sal
Se por um lado o desemprego cai de 12% para 8%, por outro o país usa mal os recursos da carga tributária porque, apesar do desemprego cair, o gasto com o seguro desemprego duplicou, por exemplo.  Para Fábio Giambiagi, o problema não é se vamos crescer; o problema é o país que vamos deixar para nossos filhos.  Hoje temos relativamente pouca aposentadoria e muito petróleo.  Temos que nos preparar para quando tivermos muita aposentadoria e pouco petróleo.
Ao final da palestra abriu-se um debate do qual registrei algumas colocações interessantes, suscitadas pelas perguntas de um dos convidados, Luiz Carlos Barboza, representando o Sebrae Nacional:
Não há espaço para reduzir a carga tributária a curto prazo.  A médio prazo, sim, quando os cofres começarem a receber os recursos do pré-sal.
Em relação à questão trabalhista, é necessário o engajamento maior do empresariado.
Desemprego entre jovens é muito maior que noutras faixas etárias.  É necessário reduzir a multa do FGTS para os mais jovens da população.
 
TECNOLOGIA :: O IMPACTO DA INTERNET NOS NEGÓCIOS
Na sequência, Tony Surtees, presidente da Hyperlocaliser, fala sobre a importância da tecnologia nos negócios, inclusive no turismo.  Surtees abre sua palestra dizendo que os números mostram que a Tecnologia traz mais oportunidades do que ameaças.
 
Números da Internet
Em 1997 eram 26 milhões de páginas na web.
Hoje são 86 milhões de páginas .com.
Em 2010 chegará a um 1 trilhão de páginas, mais vídeo e áudio cujo uso cresce diariamente.
Por dia, registram-se no mundo 100.000 domínios .com.
O melhor site é aquele que: é útil, relevante, tem muito tráfego, em vez de ser 1 site com tudo, um conjunto de sites cada um para um público, produto ou tema, todos linkados.
 
Falhas dos sites de turismo
Ao navegar por vários sites brasileiros de turismo, Surtees aponta que pecam pela falta de: multimídias – afirma que encontrou pouco, troca de idéias, depoimentos – não encontrou nenhum, blogs – não encontrou nenhum, mídia social – não encontrou nenhum.
O futuro é as empresas publicarem redes de sites menores, que possibilitem riqueza experiências indo além da questão “preço”.  O consumidor (86%) não acredita mais em anúncios e sim na recomendação dos seus pares.
Os grandes sites passivos e massivos estão se acabando.  A web é um catálogo vivo de “intenções de compra”.  A mídia social é um barômetro em tempo real daquilo que o consumidor sente e deseja.  As redes que integram interesses influenciam muito mais.  “É isto que queremos.  Nós gostamos do que os outros gostam”.
 
Os millenials
São as atuais crianças e futuros consumidores, internautas nativos que gastam cerca de 16 horas por semana navegando.  Isto significa que os sites serão as primeiras vitrines e a internet será a primeira mídia, portanto, precisamos  começar a propiciar mais interatividade com o usuário.  Um exemplo fantástico é o recém lançado AUGMENTED REALITY, em que o celular, por estar conectado via satélite e tendo internet ao apontar a câmera fotográfica dele para algum monumento ou paisagem, há o reconhecimento imediato via web e aparecem informações sobre o monumento, sem mesmo precisar pesquisar por ele e nem fotografá-lo.  Apontou a câmera, capta a imagem, reconhece-a e informa sobre a mesma.  Funciona com vitrines de lojas da mesma forma que com monumentos.  Ao andar pelas ruas onde haja comércio e serviços em seus prédios, na hora o celular acusa quais são, as promoções e preços.  Outro recurso curioso é o TRIPIT, que ajuda os viajantes a se conectarem entre si.  Dois amigos viajam e um não sabe que o outro está viajando, mas calha de estarem na mesma cidade.  Através do OpenID o Google reconhece que estão na mesma cidade e avisa de um para o outro.  Essa será a realidade, a vida, dos millenials.  Informação móvel em tempo real.  Conhecimento e comunicação na palma da mão.  O consumidor não buscará mais a informação; ela virá até ele.
Jorge Cordova, da Travelocity afirma que é incrível o crescimento de reservas  via celular.
Edmar Bull, da Rapi10 On Line, afirma que hoje o consumidor em vez de trocar de carro, troa de servidor e ferramentas.  E como o turismo em geral crescerá 25% e o turismo corporativo 12%, haverá espaço para todos os que lidam com tecnologia voltada para o turismo.  O mais rápido sairá na frente.
José Rivera, da Jumbo, uma das maiores agências de viagem on line na Europa, que movimenta 430 milhões de Euros por ano, concordou com Cordova e Bull.
Paulo Salvador, consultor, não pensa da mesma forma.  Afirma que a indústria de viagens vai ao contrário do IT Outsourcing (brokers, retroalimentação de sistemas), porque cada vez mais os fornecedores querem contato direto “one-stop shopping”  (parou, comprou), pois os GDS’s são lentos e causam sofrimento aos revendedores cada vez que há mudança nos dados.
 
FUTURO DO TURISMO EMISSIVO NO BRASIL
 
Flórida quer mais brasileiros
Ed Fouché, do Visit Florida, afirmou isso e deu as seguintes justificativas:
- o real agora compra muito mais
- o Brasil cresceu 5.35%
- o Brasil é um dos países que mais enviou turistas à Flórida
- o Brasil será uma das economias mais dominantes do mundo
- o Brasil pode vir a ser a quinta maior economia do mundo em alguns anos
- a Flórida parece ter chamado a atenção dos brasileiros e tem recebido mais que qualquer outro estado nos EUA
- a iniciativa da TAM em lançar vôo direto SP-Orlando
- a maior eficiência, rapidez e modernidade na emissão de vistos (em 2009  o Consulado dos EUA em São Paulo processou mais de 85.000  vistos)
- 9 entre 10 brasileiros vêm as férias como uma oportunidade de reconectar-se à família
- os brasileiros viajarão para a Europa, a África e o Caribe, mas certamente voltarão sempre à Flórida por causa de sua coleção de belezas, milhas de praias paradisíacas e atrações de alta classe
 
Como a Flórida e a Disney pretendem atrair mais brasileiros?
- melhora dos serviços de atendimento ao cliente nos aeroportos
- aeroporto FLD é o sexto em satisfação do cliente nos EUA
- combinação de orçamentos e recursos para alcançar as expectativas dos brasileiros
- anúncios em português e incentivo aos jornalistas brasileiros para escrever sobre o destino
- campanha “Orlando é só Alegria”, em que o Brasil é um dos únicos três mercados-chave com propaganda direcionada através da Internet
- Disney investe enviando profissionais para o Brasil
- Mantém forte relacionamento com as companhias aéreas
- lança materiais em português
- altos investimentos em marketing
- lança novidades baseadas em personagens de sucesso no mercado brasileiro e demais mercados-chave
 
Novidades na Disney
1 – Mundo Harry Potter
2 – Manta: a montanha-russa que está sobrepujando muitas atrações Disney
3 – Cruzeiros “Disney Dream” e “Disney Fantasy”: primeiro com tobogã tipo aquaduto, onde se vê a vida no oceano, e com velocidade da água a 23pés por segundo
4 – Walt Disney Resort: com Star Wars Galaxy em 3D, lançará os Star Tours em 2011
 
Todos os Estados Unidos querem mais brasileiros
Bruce Bommarito, da US Travel Association, afirmou isso, dando as seguintes justificativas:
- os EUA foram muito afetados por conceitos equivocados sobre os efeitos da tecnologia
- fizeram um estudo pelo mundo e verificaram que um dos motivos pelos quais as pessoas não iam mais para EUA era a indesejável experiência com a imigração
- o cenário político é favorável e o Brasil foi o último país a ser afetado pela recente crise econômica e foi o primeiro a sair dela
Bommarito afirmou que o mercado brasileiro cresceu drasticamente para os EUA e que estes pretendem atingir 1 milhão de brasileiros.  Disse também que os brasileiros são muito bem vindos na Flórida, mas que os outros mercados americanos logo estarão atrás dos brasileiros também, porque os brasileiros são mais famosos pelas compras do que por gastos com parques temáticos.
Bommarito explica que a US Travel association tem bons motivos para investir num Plano de Promoção Turística:
- viagens de turismo é a área que mais emprega em todo o mundo, fora o  governo, e tem mais que o dobro de trabalhadores da indústria automobilística
- está comprovado que viajar no fim de semana com a família previne contra ataques cardíacos e que viajar para fora não é apenas lazer, pois enriquece a carreira e a criança melhora na escola, entre tantos outros benefícios
- viagens e turismo é uma dessas atividades que tocam em todas as comunidades
- o “business travel” dá retorno para as empresas que investem em viagens de empregados na proporção de US$3,80 de retorno para cada US$1,00 gasto.
 
Plano de Promoção Turística dos EUA
1 – Criar um programa promocional coordenado nacionalmente.
2 – Comunicar melhor as leis de turismo dos EUA.
3 – Promover os EUA como destino.
4 – Atrair 1,6 milhões a mais de turistas que deixem 4 bilhões em receita.
5 – Desenvolver o Programa de Aeroportos Modelo, os principais portões de entrada para os EUA, aumentando o pessoal, melhorando a sinalização, melhorando o gerenciamento de filas, trabalhando os mecanismos de boas-vindas para transmitir uma mensagem positiva.
Bull enfatizou no final o grande estímulo que é a diminuição no tempo de espera pelo visto americano.  Em 2008 eram 3 a 6 meses; em 2010 será 1 mês a semanas.  E também a importância da POW WOW, maior feira internacional nos EUA, com cerca de 5.000 participantes.
Encerrou com uma frase de Einstein:
“Viajar é fatal para a discriminação,  o racismo e a mente curta.”
 
O turista brasileiro
Segundo Paul Wilke, líder de Estratégias de Relações Públicas da VISA, 10% dos gastos no mundo são feitos com o cartão VISA.
O Brasil  é um gerador importante de economia turística no mundo.   Portadores de cartão VISA contribuem com cerca de US$5 milhões por dia para a economia turística brasileira.  Em 2009, os brasileiros gastaram R$1,85 bilhões no exterior.  EUA, Argentina, Itália e Paraguai são os destinos top dos brasileiros portadores de cartão VISA, ou seja, onde gastaram mais.
 
Quanto os portadores de cartão de crédito gastam como turistas usando o VISA?
Por destino:
EUA: US$500 milhões
França: US$150 mi
Portugal: US$140 mi
Itália: US$130 mi
UK: US$130 mi
Espanha: US$120 mi
Alemanha: US$110 mi
Argentina: US$100 mi
Suécia: US$90 mi
Noruega: US$80 mi
 
“Quando as pessoas gostas, têm boa experiência com um destino, elas voltam.  Uns virão pela primeira vez ao Brasil na Copa ou nas Olimpíadas, e vai estar cheio de gente; por isso, vão querer voltar para de fato curtir, afirmou Paul.”
Os brasileiros, por sua vez, gostam de comprar, dormir e comer, mas compram muito mais do que dormem e comem.  Os brasileiros viajam muito e vão viajar muito mais este ano.
 
Plano de Ação do Brasil como destino turístico :: Plano Aquarela
Debate com Jeanine Pires, diretora da Embratur, mediado por William Waack.
Jeanine Pires é responsável pela divulgação do Brasil no exterior e comenta a apresentação de Paul Wilke, da VISA.  Começa mostrando vídeos do marketing do Brasil em inglês no exterior, que podem ser vistos no YouTube/VisitBrazil, uma novidade em ferramenta desenvolvida pelo Google especialmente para o Brasil.
Waack pergunta a Jeanine Pires: “Que lições a palestra de Paul Wilke lhe trouxe?
Jeanine Pires responde: Primeiro parabeniza a VISA pela iniciativa nos jogos de Vancouver, e complementa que: 37% dos brasileiros vão para a América do Sul, 32% para a Europa,38% para a América do Norte, 14% para visitar família e amigos, e que o agente de viagens ainda é responsável por 60% da informação ao viajante brasileiro.
 
Afirma ainda que:
Os estrangeiros viajam pelo Brasil mais a negócios.
Os brasileiros gastam lá fora o dobro do que a some de tudo o que os estrangeiros gastam no Brasil, porque o brasileiro compra muito no exterior e o estrangeiro no Brasil gasta mais em atividades .
O turismo lá for a está lutando para que o brasileiro lute pelo turismo, mas o Brasil precisa se preparar porque o turismo é muito suscetível a problemas da economia, catástrofes e doenças.  O Brasil estará preparado?
Em 2010 o Brasil será o 10° em contribuição do turismo no PIB, o 7° na geração de empregos indiretos, o 5° nos diretos e o 5° em investimentos no setor.  A meta do Plano Aquarela é duplicar a quantidade de turistas estrangeiros no Brasil até 2020, e triplicar a receita deixada por eles.
Waack pergunta: “Visto fora, Paul, o Brasil se livrou da imagem de samba, futebol e mulher?
Paul Wilke responde: Que o que viu como estrangeiro no Brasil pela primeira vez é que vai voltar.  O Brasil tem muito o que mostrar e vai voltar para ficar mais tempo.  Há muito mais do que a tradicional imagem, e isso está mudando e vai mudar ainda mais com estratégia.
Jeanine Pires complementa: A diferença é que o Canadá, por exemplo, se constrói em cima de sua reputação, então o Brasil precisa se construir sobre uma reputação.  O Brasil está acelerando procedimentos para mudar sua imagem, mas ela já está mudando porque hoje é um país que discute os temas que interessam ao mundo (emissão carbono, energia limpa, etc).  A imagem das mulheres seminuas acabou e está só em nossa memória, com excessão da Sapucaí, que é lindo.
O debate foi encerrado com a fala de Jeanine Pires, afirmando o seguinte:  “O Brasil precisa falar menos de preço e mais de valor.”
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR :: INVESTIMENTO x RISCO NO SETOR
 
Em forma de painel, foi mediado também por William Waack, dando abertura com a palavra de Josué Rios, especialista em direito do consumidor e docente na PUC-SP.
 
Entendendo os conceitos
Josué Rios abre explicando que “consumidor é aquele que compra e é aquele que utiliza.”
No turismo a expectativa do consumidor é muito alta.  Na hora da venda é tratado como ser humano porque senão ele não decide.  No pós-venda é onde o desafio do trade é maior, porque é o momento da execução do contrato.  “Não se pode brincar com a expectativa do consumidor de turismo”, afirmou.  “As empresas não precisam ser perfeitas.  Não há empresa perfeita.  A questão é o que a empresa tem ou adota como politica para dar atendimento e lidar com a frustração do consumidor”, concluiu.
 
Entendimento do PROCON sobre a responsabilidade das agências
Neste painel, representado por Márcio Marcucci, que abre afirmando que o código do consumidor diz que tem responsabilidade quem tem participação.  Por um lado há a responsabilidade dos órgãos administrativos, por outro lado a dos fornecedores junto ao consumidor.  A agência é quem o consumidor conhece como fornecedor, e é por isso que ele processa a agência pela responsabilidade.
Houve grande comoção entre os ouvintes presentes que começaram a questionar como fica a situação das agências quando são responsabilizadas por prejuízos que o consumidor teve por ser assaltado ou por ter sido vítima de algum desastre natural como Tsunamis, Furacões, erupção de Vulcões, etc.  O representante do PROCON afirmou que a agência é responsável sim, porque pelo menos deveria alertar o consumidor do perigo de viajar para determinada região em determinada época.  Que como fornecedora direta, empresa que lida diretamente com o consumidor e seus interesses, a agência deve ser profissional na venda dos produtos e serviços, e não apenas uma simples loja.  Assegurou que apesar da responsabilidade implícita, o PROCON analisa caso-a-caso.
Daqui iniciou-se a polêmica que obviamente não teria fim.  A grande questão levantada pelas agências durante o painel, até com certo sarcasmo, é que sendo assim as agências deveriam fechar as portas porque elas não têm como prever certos desastres, e se forem dizer a todo cliente que não vá para determinado lugar porque poderá ser assaltado, o turismo se acaba, porque assaltos acontecem em todas as cidades do mundo e o viajante precisa também ter bom senso e tomar certas precauções para não se expôr ao risco, como, por exemplo, investigar quais regiões ou bairros das cidades que pretende visitar, não são recomendáveis, e evitá-los.  O representante do PROCON insistiu que as agências deveriam ter essas informações também.  No fim, o presidente do Panrotas encerrou prometendo a realização de um novo Painel sobre o mesmo tema em alguma data no transcorrer do ano.
 
Aqui encerrou-se o evento.  Como expectador, a impressão que ficou em mim é que há a necessidade de não apenas discutir muito mais as dificuldades que temos no Brasil no desenvolvimento do setor, mas também discutir as soluções e documentá-las.  O que vejo é que em eventos de alta relevância como o Fórum Panrotas, que conseguem reunir representantes de todas as partes na cadeia de negócios, é fundamental discutir as soluções, documentá-las, e levá-las ao conhecimento de quem toma as decisões.  Vejo também que as agências estão muito avulsas na expressão de suas opiniões e que, portanto, precisam se unir mais, participar mais das associações e sindeturs, e exigir destes uma ação mais efetiva junto aos dirigentes, utilizando documentos como esse.  Maior representatividade do que esta, em que se reúnem associações de classe, instituições públicas e iniciativa privada, não há.
 
Matérias com informações precisas e completas você encontra no site www.panrotas.com.br/forum.
 
Adaptado de Marina Leal, gerente de marketing das Empresas Schultz. Fonte: http://workschultz.com.br/noticias/forum-panrotas-resumo-2/

 
 


 

Postado por Jun Yamamoto às 12:52 - ( 0 ) Comentários

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